A Estrada da Noite, de Joe Hill

Uma lenda do rock pesado, o cinquentão Judas Coyne coleciona objetos macabros (...). Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.

"Vou 'vender' o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..."

Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas (...), Jude não tem medo de encarar mais um. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora. O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita (...). O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. (...)

Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror. 
***

Quando estabeleci como meta para 2020 ler mais livros de autores que gostei de conhecer nos anos anteriores, sabia que iria dar um jeito de colocar o Joe Hill nas leituras do ano. O Pacto foi um dos livros que mais gostei no ano passado e depois de ter me apaixonado pelos quadrinhos de Locke & Key, estava curiosa para saber o que iria achar de outro romance do autor. Acabei escolhendo A Estrada da Noite e, ainda que não tenha amado, foi uma leitura satisfatória e envolvente durante a maior parte do tempo.

Publicado originalmente em 2007, A Estrada da Noite é o romance de estreia de Joe Hill. A história é uma mistura de terror com thriller e logo no início somos apresentados ao protagonista, Judas Coyne. Ele é um rockstar que, aos 50 anos, tem um hobbie peculiar: ele gosta de colecionar objetos macabros. Um dia, após participar de um leilão na internet, Jude se torna dono de um paletó supostamente assombrado por seu antigo dono. No início, bastante cético, Jude não dá muita credibilidade para essa história de assombração, mas como esse é um livro de terror, não demora muito para ele e o leitor perceberem que esse papo de fantasma é real e que não foi por mero acaso que Jude "esbarrou" naquele leilão. Há algo de muito ameaçador na presença desse espírito e Jude logo se vê obrigado a correr para salvar a própria vida, assim como a de sua namorada que acabou envolvida na história também. E essa é basicamente a premissa do livro. Ao longo de pouco mais de 300 páginas, acompanhamos a fuga de Jude enquanto ele tenta desvendar os motivos por trás dessa perseguição e tenta encontrar uma maneira de se livrar desse espírito.

Gostei da maneira como a narrativa é estruturada, intercalando os momentos de fuga cheios de ação e situações de quase morte com trechos em que somos apresentados a momentos e fatos do passado dos personagens. Esse recurso funcionou para manter o meu interesse e, ao mesmo tempo, instigar curiosidade. Durante a leitura senti que estava montando um quebra-cabeças e o momento em que tudo se encaixou foi bem satisfatório. Gostei de como a história se desenrolou e achei que o livro entrega aquilo que promete, ainda que não tenha se tornado um favorito e eu tenha algumas ressalvas. 

A primeira delas é em relação ao ritmo. Senti que, logo no início, estava completamente presa à história e bastante envolvida no suspense criado pelo autor, mas essa sensação foi desaparecendo conforme a leitura avançava. Não sei se o problema estava comigo, mas achei algumas cenas de perseguição muito extensas, ainda que bem descritas. Imagino que para quem gosta de "assistir as cenas enquanto lê" esse livro é um prato cheio. Contudo, fiquei cansada da leitura em alguns momentos no meio e cheguei ao desfecho já com um interesse bastante reduzido. Aqui também temos algumas reviravoltas ao longo da história e, mais uma vez, elas funcionaram para manter a curiosidade viva. Porém, preciso dizer que a principal (?) delas não foi exatamente uma surpresa. Talvez não tenha sido a intenção do autor que fosse mesmo algo imprevisível e isso também não tornou a leitura uma experiência pior de alguma forma, mas achei legal pontuar esse aspecto por aqui. Por fim, a última ressalva que tenho é que para um livro de terror, achei A Estrada da Noite bem na média. No fim, senti que é mais um livro de thriller mesmo, com exceção da primeira parte da história, que é quando Jude recebe o paletó em casa. Todos os trechos a partir desse momento até o instante em que ele decide fugir foram realmente tensos. As descrições da primeira aparição do fantasma e do fantasma em si foram bem assustadoras, daquele jeito que dá medinho e é recomendável evitar ler de noite com a luz apagada antes de dormir ( a não ser que você goste de ter pesadelos, rs).

De forma geral, acho que A Estrada da Noite foi um bom livro de estreia e acho que cumpriu o seu papel de apresentar o estilo de Joe Hill. Mesmo que tenha gostado, ainda prefiro O Pacto e mantenho o interesse em conhecer os outros livros do autor. Recomendo A Estrada da Noite para quem gosta de história de fantasma e/ou episódios antigos de Supernatural. O livro é publicado pela editora Arqueiro.

★★★

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