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O ódio que você semeia, de Angie Thomas

Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro contra o racismo em tempos tão cruéis e extremos
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.


***

Concluí a leitura de O ódio que você semeia na semana passada e desde então a história não sai da minha cabeça. Esse era um livro que queria ler desde que foi lançado e estou feliz por finalmente ter lido. Virou um dos meus favoritos do ano.

Aqui conhecemos Starr Carter, uma jovem de 16 anos que vê o melhor amigo de infância ser morto por um policial quando ambos voltavam de uma festa. O motivo é muito claro para ela e para o leitor: Khalil foi assassinado por ser um jovem negro. A polícia diz que estava apenas fazendo o seu trabalho, pois Khalil parecia armado. Veículos de comunicação, numa tentativa de justificar o injustificável, começam a dizer que ele era parte de uma gangue, que era traficante, que era perigoso. Contudo, Starr, como única testemunha do que de fato aconteceu (ela por pouco também não se tornou uma vítima), está determinada a contar a verdade.

Analisando as leituras do primeiro semestre | TAG dos 50%

Estamos no fim do sexto mês do ano, então é oficial: metade de 2020 já se foi! E que ano, amigos, que ano! Acho que ninguém imaginou o atual cenário e, por mais que, talvez, alguns de nós já tenham conseguido se adaptar à essa nova realidade, acho que, de forma geral, ainda estamos todos meio confusos, perdidos e sem saber muito bem o que esperar do futuro. Felizmente, podemos sempre contar com a companhia de boas leituras e boas histórias, que nos proporcionam algum tipo de conforto e escapismo durante esse momento tão difícil e caótico. De minha parte, digo que os livros têm sido de grande ajuda para encontrar algum consolo e manter alguma sanidade e, mesmo que minhas leituras tenham fugido bastante do que planejei no início do ano, estou feliz com o que consegui ler e hoje resolvi responder a tag dos 50% para registrar os destaques do primeiro semestre de 2020. 😉



01) O melhor livro que você leu até agora
O ódio que você semeia, de Angie Thomas, e a série  Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez.

02) Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito?
A coletânea de contos Terror à Bordo, editada por Stephen King e Bev Vincent; publicada pela Suma. Outro livro que despertou meu interesse foi A Criatura, de Andrew Pyper, publicado pela Darkside.

03) Qual foi o livro que mais te decepcionou esse ano?
Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Foi mal, gente. Acho que os anos de expectativa atrapalharam um pouco a experiência. Também acho que poderia ter gostado mais se tivesse lido quando era mais nova.

O Mistério do Trem Azul, de Agatha Christie



Quando o luxuoso Trem Azul chega a Nice, na Riviera Francesa, um guarda tenta acordar a serena Ruth Kettering, uma jovem atraente e riquíssima herdeira. Qual não é o seu susto ao perceber que ela está morta, assassinada com um pesado golpe na cabeça que a deixou quase irreconhecível. Além disso, alguém roubou seus preciosos rubis. O primeiro suspeiro é Derek, o marido de Ruth. Mas Hercule Poirot não está totalmente convencido, então monta uma completa reconstituição do crime e da viagem, com direito a tudo, inclusive a presença do assassino a bordo.

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Essa foi mais uma releitura de Agatha Christie! O primeiro contato que tive com a história foi em 2013 e, na época, lembro de não ter gostado muito e de ter achado o caso pouco engenhoso. Dessa vez, apesar de ainda achar que o livro não é um dos melhores da autora, gostei bem mais da experiência. Aqui nós encontramos uma história que mistura elementos de diferentes tipos de histórias de Agatha Christie: personagens disfarçados, encontros suspeitos em lugares afastados no meio da noite, roubo de joias e um mistério whodunit (Quem matou?).

Publicado em 1928, O Mistério do Trem Azul é uma das primeiras obras obras lançadas pela autora após o seu misterioso desaparecimento em um dos momentos mais conturbados de sua vida. Ainda que, de forma geral, o livro tenha obtido uma recepção positiva, a própria Agatha Christie não gostava dele. Ela chegou, inclusive, a admitir em sua autobiografia que o processo de escrita da obra foi um marco em sua carreira, pois foi quando ela percebeu que a escrita havia se tornado a sua profissão, deixando de ser uma atividade apenas prazerosa e amadora, para se tornar a maneira como ela ganhava dinheiro. Assim, ela se sentia pressionada para publicar um outro livro e, ao mesmo tempo, sem inspiração para criar. O resultado é uma adaptação de uma outra história que ela havia arquivado.

O Pacto, de Joe Hill

Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Tinha uma família unida e privilegiada, um irmão que era seu grande companheiro, um amigo inseparável e, muito cedo, conheceu Merrin, o amor de sua vida. Até que uma tragédia põe fim a toda essa felicidade: Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Embora não haja evidências que o incriminem, também não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda de uma bebedeira com uma dor de cabeça infernal e chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas não reagem com espanto e horror, como seria de esperar. Em vez disso, entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Um médico, o padre, seus pais e até sua querida avó, ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim. 

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O Pacto, de Joe Hill, é um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos e se tornou um dos meus favoritos no ano passado. Já começo explicando que esse é o tipo de livro difícil de classificar em um gênero específico. É uma mistura de fantasia, mistério, drama e romance; com um pouco de investigação e com toques de terror. Não chega a dar medo, mas tem uns trechos macabros.

Aqui conhecemos Ig Perrish, um cara normal que tinha uma vida perfeita, cheia de privilégios, pais e um irmão que o amavam, um melhor amigo de quem era inseparável desde a adolescência e uma namorada por quem era completamente apaixonado e com quem planejava viver o resto da vida. Tudo muda e o mundo de Ig é destruído quando Merrin, sua namorada, é estuprada e assassinada e ele se torna o principal suspeito do crime. Como não há evidência para inocentá-lo ou incriminá-lo, toda a cidade passa a tratá-lo de forma diferente, como um criminoso.