Featured Slider

A Estrada da Noite, de Joe Hill

Uma lenda do rock pesado, o cinquentão Judas Coyne coleciona objetos macabros (...). Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.

"Vou 'vender' o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..."

Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas (...), Jude não tem medo de encarar mais um. Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora. O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita (...). O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. (...)

Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror. 
***

Quando estabeleci como meta para 2020 ler mais livros de autores que gostei de conhecer nos anos anteriores, sabia que iria dar um jeito de colocar o Joe Hill nas leituras do ano. O Pacto foi um dos livros que mais gostei no ano passado e depois de ter me apaixonado pelos quadrinhos de Locke & Key, estava curiosa para saber o que iria achar de outro romance do autor. Acabei escolhendo A Estrada da Noite e, ainda que não tenha amado, foi uma leitura satisfatória e envolvente durante a maior parte do tempo.

Golem e o Gênio, de Helene Wecker

Uma fábula eterna. Realidade e magia neste aclamado livro de fantasia histórica. Os confrontos e as barreiras vividas por duas culturas tão próximas, ainda que aparentemente opostas. Em Golem e o Gênio, premiado romance fantástico que a DarkSide Books traz ao Brasil em 2015, o leitor se transporta à Nova York da virada do século XX, em uma viagem fascinante através das culturas árabe e judaica. Seus guias serão poderosos seres mitológicos. Chava é uma golem, criatura feita de barro, trazida à vida por um estranho rabino envolvido com os estudos alquímicos da Cabala. Ahmad é um gênio, ser feito de fogo, nascido no deserto sírio, preso em uma antiga garrafa de cobre por um beduíno, séculos atrás. Atraídos pelo destino à parte mais pobre de uma Manhattan construída por imigrantes, Ahmad e Chava se tornam improváveis amigos e companheiros de alma, desafiando suas naturezas opostas. Até a noite em que um terrível incidente os separa. Mas uma poderosa ameaça vai reuni-los novamente, colocando em risco suas existências e obrigando-os a fazer uma escolha definitiva. O romance de estreia de Helene Wecker reúne mitologia popular, ficção histórica e fábula mágica, entrelaçando as culturas árabe e judaica com uma narrativa inventiva e inesquecível, escrita de maneira primorosa. Golem e o Gênio foi eleito uma das melhores fantasias históricas pelo Goodreads e ganhou o Prêmio da VCU Cabell de Melhor Romance de Estreia.

***

Uma das minhas metas de leitura para 2020 era ler um livro que me intimida e o escolhido foi Golem e o Gênio, de Helene Wecker, lançado aqui no Brasil em 2015 pela Darkside. Mesmo sabendo que o livro é um romance histórico com fantasia, o que me intimidava era o tamanho. Já cheguei a comentar que, de uns tempos pra cá, comecei a sentir medo de livros com mais de 500 páginas e, mesmo quando sei que posso gostar, sempre acabo deixando a leitura desses livros para outro momento. Contudo, durante esse isolamento social e a constante sensação de incerteza, senti que a hora de tirar esse calhamaço da estante havia chegado. Logo nos primeiros capítulos, já fiquei intrigada e curiosa para saber o que iria acontecer na história. 

Aqui somos transportados para Nova Iorque, logo após a virada do século XX e conhecemos as histórias da golem Chava e do gênio Ahmad. Ambos chegam à esse cenário de maneira inusitada. Ela, uma criatura de barro criada por um rabino, desperta em um navio e, após a morte de seu mestre, chega à cidade sem saber como se comportar, em quem confiar e, de forma geral, o que fazer com sua vida. Ele, uma criatura do deserto sírio muito poderosa, ficou preso em uma garrafa por mil anos e, após despertar inesperadamente na oficina de um ferreiro, não consegue compreender quem ou o que está por trás de sua prisão em forma humana e não faz ideia de como se libertar. Eventualmente, os dois personagens se conhecem e, por meio de suas experiências e conversas, a autora nos apresenta à uma parte de Mahattan que foi construída por imigrantes. Além das histórias de Chava e Ahmad, por meio das histórias de outros personagens que vivem nesses bairros, podemos conhecer um pouco da realidade desses imigrantes, assim como aspectos das culturas árabe e judaica.

O ódio que você semeia, de Angie Thomas

Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro contra o racismo em tempos tão cruéis e extremos
Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.


***

Concluí a leitura de O ódio que você semeia na semana passada e desde então a história não sai da minha cabeça. Esse era um livro que queria ler desde que foi lançado e estou feliz por finalmente ter lido. Virou um dos meus favoritos do ano.

Aqui conhecemos Starr Carter, uma jovem de 16 anos que vê o melhor amigo de infância ser morto por um policial quando ambos voltavam de uma festa. O motivo é muito claro para ela e para o leitor: Khalil foi assassinado por ser um jovem negro. A polícia diz que estava apenas fazendo o seu trabalho, pois Khalil parecia armado. Veículos de comunicação, numa tentativa de justificar o injustificável, começam a dizer que ele era parte de uma gangue, que era traficante, que era perigoso. Contudo, Starr, como única testemunha do que de fato aconteceu (ela por pouco também não se tornou uma vítima), está determinada a contar a verdade.

Analisando as leituras do primeiro semestre | TAG dos 50%

Estamos no fim do sexto mês do ano, então é oficial: metade de 2020 já se foi! E que ano, amigos, que ano! Acho que ninguém imaginou o atual cenário e, por mais que, talvez, alguns de nós já tenham conseguido se adaptar à essa nova realidade, acho que, de forma geral, ainda estamos todos meio confusos, perdidos e sem saber muito bem o que esperar do futuro. Felizmente, podemos sempre contar com a companhia de boas leituras e boas histórias, que nos proporcionam algum tipo de conforto e escapismo durante esse momento tão difícil e caótico. De minha parte, digo que os livros têm sido de grande ajuda para encontrar algum consolo e manter alguma sanidade e, mesmo que minhas leituras tenham fugido bastante do que planejei no início do ano, estou feliz com o que consegui ler e hoje resolvi responder a tag dos 50% para registrar os destaques do primeiro semestre de 2020. 😉



01) O melhor livro que você leu até agora
O ódio que você semeia, de Angie Thomas, e a série  Locke & Key, de Joe Hill e Gabriel Rodriguez.

02) Algum lançamento do primeiro semestre que você ainda não leu, mas quer muito?
A coletânea de contos Terror à Bordo, editada por Stephen King e Bev Vincent; publicada pela Suma. Outro livro que despertou meu interesse foi A Criatura, de Andrew Pyper, publicado pela Darkside.

03) Qual foi o livro que mais te decepcionou esse ano?
Mulherzinhas, de Louisa May Alcott. Foi mal, gente. Acho que os anos de expectativa atrapalharam um pouco a experiência. Também acho que poderia ter gostado mais se tivesse lido quando era mais nova.